Experiências

Como é se hospedar em um iglu de vidro

Natália Becattini | 02/24/2026
Rear view of a person seen through the glass igloo standing in the snow admiring northern lights, Lapland, Sweden

Dormir sob a aurora boreal, dentro de um quarto com teto de vidro, no meio do inverno ártico pode parecer cena de filme. Mas como é, na prática, se hospedar em um iglu de vidro? É frio? É desconfortável? Dá mesmo para ver a aurora da cama?

Essa hospedagem virou um dos grandes símbolos das viagens ao norte da Europa, especialmente na Lapônia, mas ainda gera muitas dúvidas. Neste guia, você vai entender o que realmente é um iglu de vidro, como funciona, quanto custa e, principalmente, se essa experiência faz sentido para o seu perfil de viagem.

O que é um iglu de vidro (e o que esperar dele)

Aurora Boreal sobre iglus de vidro na Lapônia Finlandesa.

O nome iglu pode enganar muita gente, então é bom saber o que esperar quando se escolhe hospedar-se em um. Mas, calma lá! Um iglu de vidro não tem nada a ver com aquelas construções de neve que a gente via nos livros de geografia da escola, nem com dormir dentro de uma casa de gelo. 

Hospedagens desse tipo nada mais são que suítes de design escandinavo, pensada para enfrentar o inverno ártico com conforto, tecnologia e muito charme.

Um iglu de vidro não é frio por dentro

Essa é, disparado, a maior dúvida. Apesar de estar em regiões onde lá fora pode fazer –20 °C ou menos, o interior do iglu de vidro é aquecido e mantém uma temperatura confortável, similar à de um bom hotel de inverno. O segredo está no vidro térmico de múltiplas camadas, no isolamento eficiente e no sistema de aquecimento contínuo. Você pode dormir de camiseta, não de roupa térmica, e isso costuma surpreender bastante.

Iglus de vidro não são estruturas improvisadas

Iglus de vidro não são estruturas temporárias montadas para resistir ao inverno. Eles são projetos arquitetônicos permanentes, desenhados para resistir a neve pesada, vento forte e temperaturas extremas. Tudo ali é calculado para garantir segurança, conforto e visibilidade do céu, da inclinação do teto ao tipo de vidro utilizado na construção. 

O grande diferencial da hospedagem nos iglus de vidro é justamente esse: ele foi criado para que você observe o ambiente ártico sem estar exposto a ele. Enquanto neva, venta, ou mesmo quando a aurora boreal dá as caras, você está protegido, aquecido e no conforto de um quarto charmoso de hotel. 

Você não estará em um camping (mas talvez em um glamping…)

Fique tranquilo, nos hotéis em que essa opção é oferecida, não existe saco de dormir ou banheiro compartilhado, e a experiência passa longe de ser roots. Um iglu de vidro costuma ter:

  • cama confortável (nível hotel, mesmo)
  • banheiro privativo
  • aquecimento
  • iluminação controlável
  • cortinas no teto

A experiência é, sim, bastante imersiva, mas não envolve perrengue.

Como é dormir em um iglu de vidro

Iglu de Vidro em Rovaniemi

Temperatura e conforto térmico

Uma das maiores surpresas de quem dorme pela primeira vez em um iglu de vidro é perceber que o frio fica do lado de fora. Mesmo em noites de inverno intenso no Ártico, a experiência interna é confortável, mais próxima de um quarto de hotel do que de qualquer ideia de hospedagem extrema.

O teto e as paredes são feitos de vidro térmico especial, geralmente com múltiplas camadas e tratamento antiembaçante. Esse vidro foi desenvolvido justamente para regiões polares: ele isola o frio, reduz a perda de calor e impede que a diferença de temperatura cause condensação. Resultado: você vê o céu com nitidez, mesmo com neve acumulada do lado de fora.

Os iglus de vidro também contam com sistemas de aquecimento contínuo, que mantêm a temperatura interna confortável durante toda a noite. Esqueça aqueles aquecedores irregulares que ligam e desligam. A temperatura do ambiente permanece estável, sem variações bruscas. Em geral, dá para dormir tranquilamente com roupa leve, sem precisar de camadas térmicas ou cobertores pesados demais.

Dá mesmo pra ver a aurora boreal da cama?

Dá, sim, mas como tudo que envolve a aurora, não é uma experiência que pode ser garantida. 

Você consegue ver a aurora da cama quando alguns fatores se alinham:

  • o céu está limpo ou com poucas nuvens
  • há atividade solar suficiente naquela noite
  • o iglu está bem localizado, longe de poluição luminosa
  • a aurora acontece dentro do seu campo de visão, já que ela pode surgir em diferentes direções do céu

A importância da localização

Nem todo iglu de vidro oferece a mesma chance de ver a aurora. Os melhores estão:

  • em áreas remotas, longe de cidades
  • posicionados em terrenos abertos, sem montanhas ou florestas altas bloqueando o céu
  • dentro do chamado Aurora Belt (faixa de maior incidência do fenômeno)

Iglus muito próximos a centros urbanos ou em vales fechados reduzem bastante as chances, mesmo que o quarto seja bonito.

Clima e atividade solar: o fator imprevisível

A aurora boreal depende da interação entre partículas solares e o campo magnético da Terra. Por isso, não é algo controlável. Aplicativos e previsões ajudam, mas não garantem a visibilidade. Uma noite com alta atividade solar pode ser arruinada por muitas nuvens, por exemplo.

Por isso, vale reforçar: o iglu de vidro não substitui as caçadas à aurora com guias. Ele oferece conforto e possibilidade, mas não é uma promessa. 

Privacidade: dá pra ver tudo lá dentro?

Vista da Aurora Boreal de dentro de um iglu de gelo na Lapônia Sueca.

A ideia de dormir em um quarto com paredes e teto de vidro pode dar a entender que os hóspedes vão sofrer com a falta de privacidade. A boa notícia é que os iglus de vidro já nascem pensados para evitar exatamente esse desconforto.

Em muitos casos, o vidro dos iglus funciona como um espelho do lado externo. Quem está fora enxerga um reflexo da paisagem e do céu, não o interior do quarto. Do lado de dentro, a visibilidade é total para fora.

Os iglus também não costumam ficar colados uns nos outros como quartos de hotel tradicionais. As unidades são bem espaçadas, geralmente orientadas de forma estratégica para evitar visão direta entre elas. Isso garante mais silêncio e uma sensação de isolamento real, algo que faz parte da proposta da experiência.

E, sim: caso você queira dormir no escuro, trocar de roupa com mais conforto ou simplesmente desligar o mundo por algumas horas, há cortinas internas, inclusive no teto. Elas podem ser abertas ou fechadas conforme o momento, e ninguém é obrigado a passar a noite inteira sob o céu.

Iglu de vidro x hotel comum: qual escolher?

Em geral, a dúvida não é se o iglu de vidro é melhor ou pior do que um hotel tradicional, e sim o que você espera da sua hospedagem. Em termos de conforto básico, eles não são tão distantes quanto muita gente imagina. A diferença está no tipo de experiência que cada um entrega.

CritérioIglu de vidroHotel comum
ConfortoAlto conforto térmico, cama de qualidade e ambiente silencioso. Não é um luxo clássico, mas é extremamente aconchegante.Conforto tradicional, com mais espaço e serviços comuns (room service, lobby, bar).
ExperiênciaSensorial e imersiva: você dorme olhando o céu, a neve e, com sorte, a aurora boreal.Funcional e confortável, mas sem interação direta com o ambiente externo.
PreçoMais caro por noite, especialmente no inverno. O valor reflete a exclusividade, não o tamanho do quarto.Mais opções de faixa de preço e melhor custo-benefício para várias noites.
VistaTotalmente integrada à experiência: o teto panorâmico é o grande protagonista.Vista limitada a janelas laterais quando existe uma vista relevante.
“Fator uau”Altíssimo. É o tipo de hospedagem que marca a viagem e vira memória eterna.Baixo a médio. Cumpre bem seu papel, mas raramente é o ponto alto da viagem.

Onde se hospedar em um iglu de vidro

Os iglus de vidro não estão espalhados por diversos destinos do Ártico. Eles se concentram em regiões onde há alta probabilidade de aurora boreal, em geral em locais com paisagens abertas. Esses três fatores explicam por que alguns destinos se tornaram referência mundial nesse tipo de hospedagem.

Iglu em Rovaniemi, na Finlândia

Lapônia Finlandesa

A Lapônia, no norte da Finlândia, é o lugar mais famoso e também o mais estruturado para se hospedar em iglus de vidro. Regiões como Rovaniemi, Levi e Ivalo combinam:

  • alta frequência de aurora boreal
  • relevo aberto, ideal para observar o céu
  • hotéis especializados nesse formato

As hospedagens costumam fazer parte de complexos com restaurantes, sauna, transfers e atividades de inverno. É o destino mais indicado para quem quer conforto, logística fácil e boas chances de ver a aurora.

Norte da Suécia

No extremo norte da Suécia, especialmente na região da Lapônia Sueca, os iglus de vidro seguem uma linha mais minimalista e integrada à natureza. As unidades costumam ser mais isoladas, com forte apelo de design escandinavo e silêncio absoluto.

É uma ótima escolha para quem busca:

  • menos turismo de massa
  • paisagens mais selvagens
  • uma experiência mais contemplativa

Norte da Noruega

Já no norte da Noruega, os iglus de vidro aparecem em menor número, mas têm a vantagem de estar em uma região que combina aurora boreal com paisagens incríveis, como fiordes, montanhas e o mar.

Em algumas áreas, a aurora pode ser vista até mesmo no início do outono e no fim do inverno, o que amplia a janela de viagem. Por outro lado, o relevo mais acidentado pode influenciar o campo de visão do céu, algo importante na hora de escolher a localização exata do iglu.

Em resumo:

  • a Lapônia Finlandesa é a opção mais completa e previsível
  • o norte da Suécia entrega isolamento e design
  • o norte da Noruega combina aurora com paisagens únicas

Quanto custa se hospedar em um iglu de vidro

Em geral, uma noite em um iglu de vidro custa entre €400 e €1.000 por noite, podendo ultrapassar esse valor em datas muito disputadas, como Natal, Réveillon e pico do inverno. A variação depende de fatores como:

  • país e região
  • nível de conforto e exclusividade
  • época do ano
  • serviços incluídos

Na Lapônia Finlandesa, onde há mais oferta, é possível encontrar opções mais baratas. Já na Noruega, onde os iglus são mais raros e isolados, os preços tendem a ser mais altos.

O que costuma estar incluso

Em muitos casos, o preço vai além da hospedagem. É comum que a diária inclua:

  • café da manhã
  • acesso a sauna ou áreas aquecidas
  • transporte interno ou transfer a partir de pontos estratégicos
  • alerta de aurora boreal (quando ela aparece durante a noite)

Alguns hotéis também incluem jantar ou atividades de inverno.

Iglu de Vidro com a Aurora Boreal iluminando o céu

Para quem o iglu de vidro vale a pena

Esse tipo de hospedagem funciona melhor quando o perfil do viajante combina com a proposta. Para algumas pessoas, vira o ponto alto da viagem. Para outras, pode soar caro e desnecessário. Esses são alguns dos perfis para quem a experiência pode vale a pena: 

  • Casais: O iglu de vidro cria um clima naturalmente intimista e romântico que permite que os casais estejam juntos em um cenário fora do comum, longe de distrações. Para viagens de lua de mel, o iglu de vidro funciona como aquela noite especial que cria memórias. Mesmo quem passa o resto da viagem em hotéis tradicionais costuma reservar uma ou duas noites no iglu para criar esse momento único, algo que dificilmente se repete em outro destino.
  • Viajantes sensoriais e imersivos: Quem valoriza silêncio, atmosfera, paisagem e sensação costuma se encantar com esse tipo de hospedagem! Os iglus de vidro permitem sentir o lugar: o céu, a neve, o tempo passando devagar. 
  • Quem quer viver a aurora sem caçada noturna:  Nem todo mundo gosta da lógica de sair de madrugada, e algumas simplesmente não podem fazê-lo. É o caso de pessoas com crianças pequenas, idosos ou com certas condições de saúde. Enfrentar frio e ficar esperando no escuro não é agradável. Para esse perfil, o iglu de vidro oferece uma alternativa confortável: se você não pode ou quer ir até a aurora, a aurora vai até você.  

Se o que você procura, por outro lado, é se hospedar em um lugar com agito, vida noturna ou movimento ao redor, esse tipo de hospedagem não é pra você. Quem associa viagem a socialização, música ou cidade vai achar a experiência entediante.

Evite também se o critério principal é pagar pouco e ter conforto. Ele é mais caro do que hotéis comuns e entrega experiência.